PRINCÍPIOS MARTINISTAS BÁSICOS
Rodolfo Domenico Pizzinga

http://www.rdpizzinga.pro.br

 

Música de fundo: Água de Beber - Tom Jobim
Fonte:
http://www.stratusscorpion.com.br/musicas.htm


INTRODUÇÃO

HISTÓRIA SUCINTA DA TRADICIONAL ORDEM MARTINISTA (TOM)


 

 Símbolos Martinistas


Símbolos Martinistas
Fonte:
http://www.pedreiroslivres.com.br/tom.htm
(Acesso em 18/12/2003)

 

       O início de tudo aconteceu em 1754, quando Martinès de Pasqually [teósofo do século XVIII - (1710-1774)] criou a Ordem Iniciática dos Elus-Cohen. A base do trabalho iniciático era a reintegração do homem mediante a prática teúrgica. Essa Teurgia, em última instância, apoiava-se no relacionamento do homem com as hierarquias angélicas, única via, segundo Pasqually, para sua reconciliação com a Divindade. O Martinismo, contudo, não é uma extensão da Ordem dos Elus-Cohen, e com o falecimento de Pasqually, em 1774, seus ensinamentos tomaram caminhos distintos. Dois discípulos de Pasqually sobressaíram-se e impuseram orientações esotéricas específicas para o pensamento original de seu Mestre: Jean-Baptiste Willermoz (1730-1824) e Louis-Claude de Saint-Martin (1743-1803) conhecido sob o Nome Iniciático de Phil … Inc … (PHILOSOPHE INCONNU).

       Willermoz, adepto da Franco-Maçonaria e da teurgia, apesar de não ter transmitido àquela Agremiação as práticas teúrgicas dos Elus-Cohen, fez com que, em 1782, os ensinamentos de Martinès de Pasqually fossem incorporados aos graus de Professo e de Grande Professo da aludida Fraternidade.

       Já Louis-Claude de Saint-Martin renunciou à Teurgia - senda externa - em proveito da senda interna. Considerava a teurgia perigosa e temerária. Reputava, outrossim, arriscada a invocação angelical quando operada pela via externa. O caminho era o interior. Saint-Martin desejava: entrar no coração da Divindade e fazer a Divindade entrar em seu coração.

 

Martinès de Pasqually

Martinès de Pasqually
Fonte:
http://www.martinismo.hpg.ig.com.br/galeria.htm
Acesso: 4/4/2004

 

Papus

Gérard Encausse (Papus)
http://www.chez.com/crp/marti/papus.htm

 

Louis-Claude de Saint-Martin

Um dos Retratos Disponíveis de
Louis-Claude de Saint-Martin
http://www.ordinemartinista.it/newpage31.htm

 

Jean-Baptiste Willermoz

Jean-Baptiste Willermoz
http://bmassoud.free.fr/69celebs/69celebs-w.html

       A iniciação transmitida por Saint-Martin perpetuou-se até o final do século XIX. Mas não foi ele próprio o fundador de uma associação com o nome de Ordem Martinista. Havia, entretanto, uma Sociedade dos Íntimos (Círculo Íntimo) formada de discípulos que recebiam a iniciação diretamente de L.C. de Saint-Martin. No final do século XIX, dois homens eram os depositários desse conhecimento e dessa iniciação: Gérard Encausse e Pierre-Augustin Chaboseau. Foram esses dois homens, Gérard Encausse, mais conhecido como PAPUS, e Augustin Chaboseau que, em 1888, decidiram transmitir a Iniciação de que eram depositários a alguns buscadores da verdade e fundaram a ORDEM MARTINISTA. É a partir dessa época que se pode efetivamente falar em uma Confraternidade Martinista.

 

Augustin Chaboseau

 

       Em 1891 a Ordem Martinista foi dotada de um Conselho Supremo, e Papus foi escolhido Grande Mestre da Ordem. O coração do Martinismo fixou-se em Paris, e, imediatamente, foram criadas quatro Lojas: Esfinge, Hermanubis, Velleda e Sphinge. Cada uma com características específicas, mas todas fiéis ao pensamento de seu inspirador: Louis-Claude de Saint-Martin – o FILÓSOFO DESCONHECIDO.

       A Ordem, com o tempo, expandiu-se também no estrangeiro, e foram instaladas diversas heptadas na Bélgica, Alemanha, Inglaterra, Espanha, Itália, Egito, Tunísia, Estados Unidos, Argentina, Guatemala e Colômbia. Não há registros, s.m.j., do funcionamento da Ordem, naquela época, nem em Portugal, nem no Brasil.

       Com o advento da Primeira Guerra Mundial a Ordem Martinista entrou em dormência. Papus transferiu-se voluntariamente para o front (para servir como médico), vindo a falecer antes do fim do conflito, em 25 de Outubro de 1916. Com a transição de Papus, a Ordem passou por dificuldades e quase desapareceu. Foi exatamente em 24 de Julho de 1931 que os martinistas autênticos, no intuito de distinguir a Ordem de movimentos pseudomartinistas (inautênticos), reuniram-se em torno de Augustin Chaboseau e acrescentam à denominação da Ordem o qualificativo TRADICIONAL.
 

TOM

Figura 3: Emblema da Tradicional Ordem Martinista

       Nova prova para os martinistas: a Segunda Grande Guerra. A Ordem entra praticamente em nova dormência, pois no dia 14 de Agosto de 1940 o jornal oficial publicou um Decreto do Governo de Vichy proibindo na França o funcionamento de todas as organizações secretas. Todavia, duas Lojas continuavam a operar incógnita e silentemente: Athanor e Brocéliande. A Gestapo não dava sossego às organizações iniciáticas. E alguns iniciados, não apenas da TOM, foram martirizados e mortos nos porões do nacional-socialismo pelos títeres nazistas.

       1945: término das hostilidades. Augustin Chaboseau (Sâr Augustus), incansavelmente, reativou a Ordem pela última vez, pois veio a falecer em 2 de Janeiro de 1946. Na Europa, com a morte de Chaboseau, o movimento martinista passou mais uma vez por grandes dificuldades. Sua sustentação deveu-se a Ralph M. Lewis (Sâr Validivar), então Imperator da Ordem Rosacruz e Grande Mestre Regional da Tradicional Ordem Martinista que, com seu incansável trabalho e acurado senso de organização, sedimentou a agremiação na Europa. Foi eleito Soberano Grande Mestre da Ordem e dirigiu-a por 48 anos até o momento de sua Grande Iniciação, em 12 de Janeiro de 1987.

 

Ralph Maxwell Lewis

Ralph Maxwell Lewis
http://members.tripod.com/~salemos/index-8.html

 

       Hoje, a Tradicional Ordem Martinista é dirigida universalmente por Christian Bernard, também Imperator da Ordem Rosacruz - AMORC. Presentemente, a TOM está instalada também no Brasil.

 

Christian Bernard

 

      Apesar de todas as adversidades, a Tradicional Ordem Martinista sempre conseguiu manter e transmitir sua Luz ao longo do tempo. Os martinistas - Servidores Incógnitos - sabem e concordam com Victor Hugo quando afirmou: A revolução muda tudo, menos o coração do homem. Por isso, como preconizou Saint-Martin, não é no exterior que se deve produzir a mudança, mas sim no coração de cada homem. É esse conceito que os martinistas denominaram (e denominam) de SENDA CARDÍACA.

 

MARTINISMO: UMA SENDA CARDÍACA

 

 

       Conforme se afirmou anteriormente, Martinès de Pasqually entendia que a ascensão do homem só poderia operar-se pela Teurgia, ou seja, por um conjunto complexo de práticas ritualísticas, visando obter sua reintegração com a Divindade com intermediação Angélica. Saint-Martin desaprovava essas práticas. Achava-as perigosas e ultrapassadas. Acreditava que com o advento do Cristo o homem poderia ter acesso ao Reino Divino sem intermediários. Evocar ao invés de invocar. Dentro e não fora. Interior e não exterior. A ascese interior é o caminho, e, nesse sentido, é no coração do homem que tudo deve acontecer. Para os martinistas o Universo e o homem formam um todo, e como ensinava Saint-Martin: não podemos ler senão no próprio Deus, nem nos compreender senão em seu próprio esplendor. Se o homem não é mais capaz dessa harmonia é porque se tornou vazio de Deus. Ficou adormecido para a espiritualidade. Escolheu que assim sucedesse. Lutar pela reintegração é preciso. É sobre essa questão primordial que repousa todo o trabalho martinista: a REINTEGRAÇÃO DO HOMEM. O poder original perdeu-se. Mas não se perdeu, certamente, o germe desse poder. Só depende - e depende exclusivamente - do homem cultivá-lo, trabalhá-lo, e fazê-lo crescer e frutificar. Mas há aqueles que têm consciência dessa nostalgia. Há os que sentem um impulso interior de reencontrar a pureza original. São os Homens do Desejo. É o desejo de Deus. É a fome de Deus. É a saudade metafísica insatisfazível do reencontro interno e insubstituível com a DIVINDADE INTERIOR. No âmbito do Rosacrucianismo isto corresponde à construção in corde do Mestre-Deus pessoal de cada Iniciado.

       Assim, a senda martinista é a SENDA DA VONTADE, voltada para a reconstrução do TEMPLO INTERIOR. Para edificar e reconstruir esse Templo, o iniciado Martinista apoia-se em três pilares: a Iniciação, os Ensinamentos Martinistas e a Beleza. Pelos dois primeiros adquire (ou readquire) FORÇA e SABEDORIA. Alcançadas ou (re)alcançadas essas instâncias do ser, nascerá (ou renascerá) a BELEZA que marcará com seu selo a reconstrução de seu Templo Interior. Portanto, a edificação do Templo Interior apóia-se na Lei do Triângulo.

       Sobre a questão da iniciação, vale a pena recordar o que ensinou Saint-Martin a Kirchberger: Pela iniciação podemos entrar no CORAÇÃO DE DEUS e fazer o CORAÇÃO DE DEUS entrar em nós, para aí fazer um casamento indissolúvel. Pela Iniciação o homem lentamente tornar-se-á seu próprio REI. EU E MEU PAI SOMOS UM.

       Os ensinamentos de Saint-Martin são, sem exceção, aplicáveis a toda a Hhumanidade. Considerava a fraternidade (e não a igualdade) a base de toda a vida social e propugnava a união de todos os seres humanos em nome do amor. Justiça e caridade, força e fraqueza, só podem encontrar seu ponto de equilíbrio pela e na fraternidade. Assim, a Tradicional Ordem Martinista - que preserva os ensinamentos de Louis-Claude de Saint-Martin - propugna que a felicidade da Humanidade é dependente e proporcional à felicidade de cada um de seus membros e na união de todos pela fraternidade, que propicia uma verdadeira igualdade pelo equilíbrio estável de direitos e de deveres. A resultante desses dois lados do triângulo conduz ao terceiro - a liberdade - que determina a segurança e a preservação de todos. Mas, nada pode acontecer sem HUMILDADE e CARIDADE.

       Em seu trabalho os martinistas não empregam nem magia, nem teurgia, nem se preocupam com a acumulação de um saber puramente intelectual, pois entendem que para progredir na senda da reintegração não é a cabeça que é preciso empenhar e sim o coração. É no coração - o templo sagrado e alquímico de transmutação do homem antigo no homem perpétuo - que serão encontradas as sete fontes sacramentais, as sete colunas, que harmonizarão e fertilizarão todas as regiões do ser do homem. Dessa Alquimia Transcendental e perene, manifestar-se-ão, para sempre, a Sabedoria, a Força e a Magnificência...

       Segundo Saint-Martin na obra O Novo Homem, essas possibilidades estão à disposição do ser humano, porque nunca dele lhe foram subtraídas, e tais maravilhas encontram-se perpetuamente no seu coração, eis que aí têm existido desde a origem.

       No discipulado, o martinista utiliza dois livros simbólicos (díade martinista): o Livro da Natureza - imenso repositório de conhecimentos - e o Livro do Homem - a ser lido por introspecção, pelo retorno ao centro do ser, pelo retorno ao coração. Aí é o lugar para e de contemplação interior, de transmutação divina, e que se constitui na via Esotérica, Alquímica e Secreta de todos os seres. Nesse processo, o Homem Velho acaba por ceder lugar ao Homem Novo. Essa regeneração foi definida por Saint-Martin como uma imitação interior do Cristo; e, tendo se tornado Homem-Espírito, poderá cumprir seu ministério: ser o intermediário ativo entre o Absoluto e o Universo. Este é o significado oculto da sentença: Lázaro, levanta-te. Todo Martinista é potencialmente um Lázaro. Não haverá mais em cima ou embaixo, exterior ou interior, dentro ou fora. A comunicação será permanente, e o homem terá alquimicamente se transmutado no templo de Deus. A Jerusalém Celestial terá sido restabelecida, pois o homem foi, então, batizado pelo Fogo Sagrado do Santo Espírito. I-NRI. I-Na-Ra. I-Na-Ra-Ya. YN-RI. A Doutrina Martinista veio (re)anunciar, portanto, a Era do Cristo Cósmico, que já começa a se revelar na alma de todos os seres, que, ainda que vacilantemente, estão iniciando a perceber que a insistência em chafurdar em valores transitórios e subalternos, só pode conduzir a sofrimentos e a desastres, qualquer que seja a duração dessas transigências, qualquer que seja a dimensão de cada tentativa. Ambas serão sempre frustras. Não se pode esquecer de que, posteriormente, Rudolf Steiner (1861-1925) viria a exaltar os mesmos princípios no âmbito da Sociedade Antroposófica. Este místico austríaco deixou uma obra monumental que deve, s.m.j., ser examinada por todos aqueles que se interessam pelos temas abordados neste pequeno e modesto ensaio. Outro pensador de nomeada foi o jesuíta Teilhard de Chardin (1881-1955), que faleceu no mesmo ano de Albert Einstein (1879-1955). Ambos foram cientistas, filósofos e místicos. Examinar os pensamentos destes dois ilustres transmissores é profundamente inspirador.

       E assim, se se puder simplificar ao limite máximo para a mínima compreensão do que possa ser esoterismo ou iniciação no sentido martinista, talvez um resumo do que deixou escrito Saint-Martin, possa desarmar as consciências, de um modo geral, e estimular o início de uma pesquisa e de um estudo mais sistemático e mais aprofundado sobre essa possibilidade de acesso a um conhecimento, que está a todos disponível, aberto e sem reservas: A única Iniciação... é aquela pela qual podemos penetrar o coração de Deus e induzir este coração divino a penetrar o nosso. Kirchberger, como se viu, teve o privilégio de receber esse inspirador pensamento do próprio Formulador. A vereda martinista é, portanto, CARDÍACA. Interna. Não-teúrgica. Cabalística e ao mesmo tempo Iniciática. Assim, contrariamente à tagarelice profana e vulgar, iniciação (no sentido esotérico) é experiência pessoal, aprendizado, compromisso com o bem, com a justiça, com a fraternidade e com a liberdade; é o propósito de servir e atuar neste Plano de existência com firmeza e tolerância, mas também com bondade e compreensão, respeitando a multiplicidade de credos e de opiniões, sempre colaborando para a ascensão social e espiritual da Humanidade. É, em suma, a prática plena pela compreensão plena do PRIMEIRO MANDAMENTO. Por último, sobre a Verdade, Saint-Martin deixou escrito: A opressiva desventura do homem não é ignorar a existência da verdade, mas interpretar erroneamente sua natureza. Este conceito é equivalente à anarquia pitagórica.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS


       A Tradicional Ordem Martinista - TOM - contemporaneamente, permanece como a maior Ordem Martinista em atividade no mundo. Para tanto, conta com a aliança mística com a
Ordem Rosacruz - AMORC. É, nesse sentido, a organização Martinista que possui o maior número de Heptadas tradicionalmente constituídas e é a que possui a melhor organização administrativa. A possibilidade de afiliação à TOM, que não é automática, determina ao postulante que seja membro da AMORC há algum tempo. Para solicitar filiação à TOM, o candidato deverá estar consciente de que o princípio básico que norteia todos os martinistas (de qualquer denominação) é: SERVIÇO INCÓGNITO.

 

Templo da AMORC e da Tradicional Ordem Martinista

Templo da AMORC e da Tradicional Ordem Martinista - TOM em Curitiba – Paraná (A atual Grande Loja da Jurisdição de Língua Portuguesa nasceu com a denominação de Grande Loja do Brasil, no Rio de Janeiro, em 1956. Em 1960 foi transferida para Curitiba, no Paraná, quando foi dado início à construção da sua sede própria inaugurada em 1964.)
http://www.amorc.org.br/dominio/conheca_a_glp.htm
(Acesso em 4/4/2004)

 

       A sucessão da Tradicional Ordem Martinista possui vários ramos, dentre os quais, entre outros, destaca-se: Papus, Augustin Chaboseau (Sâr Augustus), Ralph Maxwell Lewis (Sâr Validivar) e Christian Bernard (Sâr Phenix). Sâr = SENHOR TRANSTERRENAL, FILHO DE RÁ.

       O MARTINISMO é, minimamente, como admite um espiritualista contemporâneo, o caminho do equilíbrio entre a ciência e a religião. É, assim, um método desenvolvido e destinado a facilitar a compreensão da existência da harmonia entre todas as coisas e o empenho da prática do AMOR UNIVERSAL.

       Segundo Papus: A magia, considerada como uma ciência de aplicação, limita quase unicamente sua ação ao desenvolvimento das relações que existem entre o homem e a natureza. O estudo das relações que existem entre o homem e o Pano Superior ou Divino, em todas as suas modalidades, pertence à Teurgia. (É sabido que Papus, no final da vida, abandonou in pectore a Teurgia para seguir a Senda do Coração).

       Enfim, o MARTINISMO pratica Magia ou Teurgia? A Teurgia ou a prática teúrgica se apresenta, necessariamente, com um caráter secreto, impossível de ser violado, sendo, desta forma, inteiramente desconhecida da grande maioria dos estudantes de misticismo, pois exige do operador aptidões excepcionais, que, dificilmente, são encontradas, hoje, em um único indivíduo. Para um exercício teúrgico realmente eficaz e eficiente é necessária uma instrução adequada e uma amplidão de conhecimentos que consiste, no mínimo, do domínio de uma língua antiga (hebraico, grego ou latim), de conhecimentos consistentes de Astronomia e de Astrologia, e de substanciosa sapiência de Alquimia e de Ritualismo Cerimonial. Como pode ser facilmente observado, torna-se a enfatizar, é muito difícil que, contemporaneamente, alguém possa deter todos esses conhecimentos. Também, são imperativas uma CONDUTA PURA, uma VIDA PURA e uma CONSCIÊNCIA PURA. Analisando de maneira realista o que é denominado de Teurgia, pode-se dizer que é, no máximo, uma forma de magia, ou melhor, de Alta Magia, através da qual é provável (mas não aconselhável), com determinação e com muito estudo, que sejam conquistados alguns resultados de natureza psíquica. Mas, o que poderia ser considerado um resultado teúrgico satisfatório? Talvez, um nível de harmonização, de paz interior e de conhecimentos não acessíveis à grande maioria dos estudantes. Sob este entendimento o Martinista é um praticante de Magia, ou melhor, de Alta Magia. Mas o que realmente deve ser importante para o BUSCADOR? A prática Teúrgica? Os resultados oriundos de uma presumida comunicação com os seres angelicais, ou melhor, com as Hierarquias Celestes? Ou, o importante é a Transmutação Interior? É a ALQUIMIA INTERIOR, cujos instrumentos são a devoção, a dedicação e o estudo, que é proporcionada ao operador, ao buscador, ou, ainda, ao estudante para poder servir altruisticamente. O Martinismo, primordialmente, tenta conciliar a Ciência com a Religião, e isto é Conhecimento que suplanta a Fé cega, que, no inexistente tempo, também será transmutado em SABEDORIA –› ShOPhIa .

       Parafraseando, colando e recortando palavras de Monte Cristo SI, o intuito desta compilação foi o de fornecer informações históricas sobre o Martinismo através dos séculos. Como todo Martinista sabe (qualquer que seja a Ordem a que pertença), não se julga um irmão pela riqueza ou pela pobreza do berço que o embalou, e sim pela fraternidade que une os seres que possuem gravados em seus íntimos a mesma INICIAÇÃO e a MESMA PATERNIDADE ESPIRITUAL. Este é o elo iniciático, místico, fraterno, histórico e tradicional que une TODOS os Martinistas.

       De qualquer forma repete-se: Louis-Claude de Saint-Martin renunciou à Teurgia - senda externa - em proveito da SENDA INTERNA. Considerava a Teurgia perigosa e temerária. Reputava, outrossim, arriscada a invocação angelical quando operada pela via externa. O caminho era o interior. Saint-Martin desejava: entrar no coração da Divindade e fazer a Divindade entrar em seu coração. Acreditava - e eu também - que, com o advento do CRISTO CÓSMICO, o homem pode ter acesso ao Reino Divino sem intermediários. Evocar ao invés de invocar. Dentro e não fora. Interior e não exterior. A ascese interior é o caminho, e, nesse sentido, é no CORAÇÃO DO HOMEM que tudo deve acontecer. A este processo MÍSTICO-ALQUÍMICO-INICIÁTICO os Martinistas, particularmente os membros da TOM, denominam de SENDA CARDÍACA.

       Por último, deve-se obrigatoriamente registrar, estas considerações finais foram, em alguma medida, o resumo de alguns recortes (em parte modificados, em parte ampliados) obtidos de alguns dos sites abaixo relacionados (acessados em 22/12/2003), pois, considerou-se fundamental, nesta oportunidade, coligir opiniões distintas sobre o Martinismo, ao mesmo tempo em que se divulgam algumas páginas da Internet que tratam do tema ora examinado. A LUZ DEVE SER ESPARGIDA POR TODOS OS VEÍCULOS. Entre os Martinistas não há ciumeiras. Isto esclarecido, autoriza-se aos interessados, a divulgar, por qualquer meio, o conteúdo de todos os trabalhos apresentados no meu próprio site, sem necessidade de que seja citada a fonte. A LUZ DEVE SER ESPARGIDA POR TODOS OS VEÍCULOS. Assim seja.


 

Três Rosas - Três Mestres


 

 

 

SITES CONSULTADOS

http://www.hermanubis.com.br
http://www.pedreiroslivres.com.br
http://planeta.terra.com.br
http://tectus.sites.uol.com.br/tec_art_om.htm
http://www.sca.org.br/artigos/abhmb25.pdf
http://www.sca.org.br/artigos/asmm13.pdf
http://inforum.insite.com.br/4301/faq/
http://www.martinismo.hpg.ig.com.br/galeria.htm
http://www.amorc.org.br/
http://www.amorc.org.br/imagens/fotos_templo.jpg
http://perso.wanadoo.fr/rosae-crucis/kybal/latable.htm
http://www.iniciados.org/

 

DADOS SOBRE O AUTOR

O autor é membro da Tradicional Ordem Martinista - TOM. Exatamente por isso, afirma, enfaticamente, que o conteúdo deste rascunho-reflexão é de sua única e inteira responsabilidade, não cabendo à sua amada Ordem qualquer gravame ou ônus pelas considerações e especulações nele apresentadas. Mestre em Educação, UFRJ, 1980. Doutor em Filosofia, UGF, 1988. Professor Adjunto IV (aposentado) do CEFET-RJ. Consultor em Administração Escolar. Presidente do Comitê Editorial da Revista Tecnologia & Cultura do CEFET-RJ. Professor de Metodologia da Ciência e da Pesquisa Científica e Coordenador Acadêmico do Instituto de Desenvolvimento Humano - IDHGE.

 

 

ANEXO I

Casa na qual nasceu Louis-Claude de Saint-Martin, no dia 18 de Janeiro de 1743, em Amboise, na Praça do Grande Mercado, atualmente Praça Richelieu (gravura de J. Oury, 1888, coleção particular, Ph. Arsicaud Tours). Fonte: O Pantáculo, Ano XII, Nº 12, 2004, AMORC, Tradicional Ordem Martinista
de Língua Portuguesa.


  

Casa na qual nasceu Louis-Claude de Saint-Martin

 



  ANEXO II


La Colinière – casa de campo de Jean-Jacques Lenoir-Laroche em Aulnay (Châtenay-Malabry), na qual O Filósofo Desconhecido entregou sua alma a Deus em 14 de Outubro de 1803. Esta residência, outrora situada na Rua Chateaubriand 127, foi destruída em 1959. Fonte: O Pantáculo, Ano XII, Nº 12, 2004, AMORC, Tradicional Ordem Martinista de Língua Portuguesa.

 

La Colinière


 



 

ANEXO III


Casa natal de Louis-Claude de Saint-Martin, tal como pode ser vista hoje em Amboise, na Praça Richelieu. Fonte: O Pantáculo, Ano XII, Nº 12, 2004, AMORC, Tradicional Ordem Martinista de Língua Portuguesa.

 

Casa natal de Louis-Claude de Saint-Martin


 


 
ANEXO IV


Casas em que morou Martinès de Pasqually em Bordeaux, na Rua Carpenteyere, na época em que Louis-Claude de Saint-Martin era seu secretário. Fonte: O Pantáculo, Ano XII, Nº 12, 2004, AMORC, Tradicional Ordem Martinista de Língua Portuguesa.

 

Casa em que morou Martinès de Pasqually em Bordeaux
Casa em que morou Martinès de Pasqually em Bordeaux


 


 

ANEXO V
O MARTINISMO

(Pelo Irmão Saryh, SI)

Fonte: http://www.hermanubis.com.br
(Acesso em 3/4/2004)

 

       Nos faz meditar, profundamente, o brado de alerta de uma das maiores inteligências contemporâneas, a do filósofo francês Jean François Revel, que no discurso intitulado Elogio da Virtude, proferido na Academia Francesa de Letras, na sessão de encerramento do ano de 1998, perante as mais destacadas figuras representativas do mundo cultural e científico da Europa, finalizou-o, assustadoramente, com as seguintes palavras: ... Para além de todos os limites até agora conhecidos, o século 20 foi o século do vício. Nossa civilização democrática não se perpetuará e não se estenderá, se no século 21 não for o século da VIRTUDE. (Maiúsculas minhas).


       Mas, o que é virtude...


       Platão a chama de Ciência do Bem. Aristóteles, o hábito de dirigir a nossa conduta pela inteligência; os estóicos, a disposição da alma que, durante todo o decurso da vida, está de acordo consigo mesma; Malebranche (1638-1715), o amor da ordem; Kant (1724-1804), a força moral pela qual obedecemos às ordens da razão.

       Comparando todas estas definições, vê-se que a virtude implica essencialmente em duas condições: o conhecimento do dever e uma disposição firme e constante de praticá-lo.

       Os antigos reuniam toda a Moral em quatro virtudes, que denominaram de virtudes cardeais, isto é, preeminentes ou principais, em torno das quais giram todas as outras ou das quais dependem as outras. Estas qualidades virtus, virtutis eram: Sabedoria, Coragem, Justiça e Temperança. Foram posteriormente classificadas como: Temperança, Fortaleza, Prudência e Justiça. Após esses esclarecimentos iniciais, os Martinistas, em razão de sua condição de Buscadores da Verdade, no caminho ascendente em direção ao Grande Arquiteto do Universo, praticam e cultuam a Virtude, combatendo, como se fossem inimigos mortais, a hipocrisia e a traição, defendendo a Virtude e a Inocência, contra a violência, o engano e a calúnia.

       Lutam ardorosamente, e sem desfalecer jamais nesta empresa, em favor da Liberdade, do Direito e da Livre Manifestação do Pensamento e da Palavra; defendem a Sabedoria contra a superstição; têm por princípio o Amor aos semelhantes, por base a Ordem e por fim o Progresso.

       As sete virtudes que devem praticar: SINCERIDADE, PACIÊNCIA, CORAGEM, PRUDÊNCIA, JUSTIÇA, TOLERÂNCIA e DEVOTAMENTO.

       O Martinista tem como premissa de vida, o Amor ao Grande Arquiteto do Universo e o Amor ao seu próximo. O Amor Martinista é, com efeito, muito mais do que uma virtude de ordem moral; é o Amor no sentido cristão, como dele falam São João e São Paulo, realização do conhecimento, participação direta no Absoluto.

       A fé e a Caridade, unindo-se a todos os homens na comunhão do Amor, procuram tudo o que pode contribuir para a reabilitação da humanidade.

       O mal desaparecerá sobre a Terra, uma vez que a Humanidade seja remunerada pela Lei do Amor, uma vez que todos os homens se amem a si mesmos, graças à propagação pelo MARTINISMO das doutrinas da Fé, da Esperança, da Caridade e do Amor fraternais que constituem a Verdade.

       O Martinista tem a mais ampla visão relativamente aos seus deveres para com seus semelhantes. O seu Amor por eles aumenta, porque sabe que é somente pelo AMOR que a Humanidade poderá aniquilar as tiranias, destruir as intolerâncias e fazer desaparecer os fanáticos, sejam eles de ordem política ou religiosa.

       A Lei do Dever induz a prática do Bem; fazer o Bem é dever do Martinista, e ele deve ser praticado sem visar recompensa, nem futura, nem imediata. 

       Para o Martinista o dever deve ser cumprido porque é o DEVER. Ele não se limita aos bens materiais, auxilio em forma de bens perecíveis; mas ao apoio que todo irmão deve a seu irmão, que é um imperativo absoluto; não se pode fazer parcialmente um bem; ele é completo e total.

       Esse, também, foi o espírito da Cavalaria. E, se no passado, tantos nobres como plebeus, leigos quanto religiosos, deram a sua própria vida pelo ideal da prática do BEM, merecem seguimento. Finalmente, os Martinistas são os Cavaleiros do Século 21 que devem praticar e difundir as virtudes morais, para que todos tenham a oportunidade de, seguindo o caminho do meio, talvez, neste novo Milênio, se aproximar do ABSOLUTO.


 

 


ANEXO VI
Martinès de Pasqually (1710 -1774)

Fonte: keras-amaltheias.frsv.com
(Acesso em 4/4/2004)

       D’origine incertaine, Martinès de Pasqually, personnage dont l’évolution spirituelle reste encore mal connue faute de documents, apparaît tout à coup vers 1754; il commence alors une carrière de thaumaturge, surtout de théurge, et s’impose d’emblée comme un théosophe considérable, un mage nanti de pouvoirs prodigieux.

       A droite, cachet de Martines, utilisé en tête de la plupart de ses lettres. On ignore la date, le lieu de naissance et la nationalité de Martinès. Certains affirment qu'il était juif sans cependant pouvoir l'établir de façon certaine. On a dit aussi qu'il était de nationalité portugaise, du fait qu'il est allé en 1772 recueillir un héritage à Saint-Domingue, et que Grainville, son fervent disciple, était originaire des Antilles. D'autres prétendent qu'il est né à Grenoble. On constate, en réalité, qu'on ne sait rien de certain de son origine. Durant vingt années de 1754 à 1774, année de sa mort, Martinès de Pasqually travailla sans arrêt à la construction de son Ordre des Chevaliers Maçons Elus-Cohens de l'Univers. En 1754, il fonde le Chapitre des Juges Ecossais à Montpellier; en 1761, il s'affilie à la loge La Française à Bordeaux et y fonde un temple Cohen. Cette loge La Française devient en 1764, la Française Elue Ecossaise, pour indiquer par ce nouveau nom qu'elle possède un Chapitre de grades supérieurs. Mais la direction de l'Obédience Maçonnique abolissant en 1766 toutes les constitutions relatives aux grades supérieurs aux trois premiers (apprenti, compagnon et maître), le Chapitre se trouve suspendu. C'est en cette même année 1766 que Martinès vint à Paris et fonda un temple Cohen avec Bacon de la Chevalerie, Jean-Baptiste Willermoz, Fauger d'Ignéacourt, le comte de Lusignan, Henri de Loos, de Grainville, etc... En 1767, il établit son Tribunal Souverain qui devait régenter tout l'Ordre des Elus-Cohens. La rencontre avec Saint-Martin en 1768 devait avoir une grande importance pour l'un comme pour l'autre. La personnalité et l'enseignement de Martinès de Pasqually firent sur Saint-Martin une impression profonde et durable. Réciproquement, Martines fut lui-même influencé par Saint-Martin. Ce dernier quitte l'uniforme en 1771 et devient le secrétaire de Martinès, remplaçant dans cette tâche l’abbé Pierre Fournié. De cette époque date la mise au point des rituels ainsi que la rédaction du Traité sur la Réintégration des êtres, base doctrinale de la théosophie et de la théurgie martinésistes.

       La doctrine de Martinès, dont le caractère chrétien ne fait aucun doute, se présente comme la clef de toute cosmogonie eschatologique: Dieu, l’Unité primordiale, donna une volonté propre à des êtres «émanés» de lui; mais Lucifer, ayant voulu exercer lui-même la puissance créatrice, tomba victime de sa faute en entraînant certains esprits dans sa chute; il se trouva enfermé avec eux dans une matière destinée par Dieu à leur servir de prison. Puis la Divinité envoya l’Homme, androgyne au corps glorieux et doué de pouvoirs immenses, pour garder ces rebelles et travailler à leur résipiscence; c’est même à cette fin qu’il fut créé. Adam prévariqua à son tour et entraîna la matière dans sa chute; il s’y trouve maintenant enfermé; devenu physiquement mortel, il n’a plus qu’à essayer de sauver la matière et lui-même. Il peut y parvenir, avec l’aide du Christ, par la perfection intérieure, mais aussi par les opérations théurgiques qu’enseigne Martines aux hommes de désir qu’il estime dignes de recevoir son initiation: fondées sur un rituel minutieux, ces opérations permettent au disciple d’entrer en rapport avec des entités angéliques qui se manifestent dans la chambre théurgique sous forme de «passes» rapides, généralement lumineuses; ces dernières représentent des caractères ou hiéroglyphes, des signes des esprits invoqués par l’opérant, auquel les manifestations prouvent qu’il se trouve sur la bonne voie de la Réintégration.

       Cette doctrine, destinée à une élite réunie sous le nom d’élus «cohens» (prêtres élus), connaîtra une fortune singulière, mais les opérations théurgiques resteront réservées aux seuls initiés. Martines n’utilise guère la franc-maçonnerie qu’afin de greffer sur elle son système. Jusqu’en 1761, on le trouve à Montpellier, à Paris, à Lyon, à Bordeaux, à Marseille, à Avignon. En 1761, il construit son temple particulier à Avignon, où il réside jusqu’en 1766. À cette époque, l’ordre des Cohens se présente comme un système de hauts grades enté sur la maçonnerie bleue. La première étape comprend trois grades symboliques auxquels s’ajoute celui de maître parfait élu; puis viennent les grades cohens proprement dits: apprenti cohen, compagnon cohen, maître cohen, grand architecte, chevalier d’Orient, commandeur d’Orient; enfin le dernier grade, consécration suprême, celui de réau-croix. En 1768, Willermoz est ordonné réau-croix par Bacon de La Chevalerie. Saint-Martin, initié aux premiers grades vers 1765, devient commandeur d’Orient. Les années 1769 et 1770 voient les groupes cohens se multiplier très largement en France. En 1772, Saint-Martin est ordonné réau-croix.

       Martinès, parti la même année pour Saint-Domingue afin de toucher un héritage, devait y mourir en 1774. Par la suite, l’Ordre se désagrège. Dès 1776, les temples cohens de La Rochelle, de Marseille, de Libourne rentrent dans le giron de la Grande Loge de France. En 1777, le cérémonial n’est plus en usage, semble-t-il, que dans quelques cénacles comme Paris, Versailles, Eu. Enfin, en 1781, Sébastien Las Casas, troisième et dernier grand souverain des élus cohens (successeur de Caignet de Lester, décédé en 1778), ordonne la clôture des huit temples qui reconnaissent encore son autorité. Ni Caignet ni Las Casas n’ont joué un rôle bien important. Malgré cette clôture officielle, des élus cohens continuent à exercer la théurgie, à procéder à des ordinations. D’autre part, l’enseignement théosophique de Martinès n’est pas perdu pour autant; au sein de la maçonnerie, il se répand encore longtemps après la mort de ce chef de file, grâce au système maçonnique institué par Willermoz peu après la mort de son maître.

       Outre Willermoz et Saint-Martin, on connaît comme disciple de Martinès l’abbé Pierre Fournié. C’est vers 1768 que ce dernier rencontre le maître qui va bouleverser de fond en comble sa destinée et auprès duquel il exercera plusieurs mois les fonctions de «secrétaire». Initié élu cohen, le clerc tonsuré Fournié réside surtout à Bordeaux, où il sert d’intermédiaire entre différents membres de l’Ordre.

Ci-contre, autre cachet utilisé par Martinès.

       En 1776, Saint-Martin le dépeint comme un élu cohen exceptionnellement favorisé en matière de manifestations surnaturelles; Fournié en décrira lui-même quelques-unes dans son ouvrage Ce que nous avons été, ce que nous sommes et ce que nous deviendrons (1802), en redoutant d’en dire trop. Au moment de la Révolution, Fournié émigre en Angleterre, où il restera jusqu’à sa mort; de là il correspond, de 1818 à 1821, avec le théosophe munichois Franz von Baader.

Remerciements:

• A M. Louis Basiles qui, grâce à ses envois de documents (notamment de J.B.), a permis de compléter les informations dont je disposais.

• A M. Jacques Tabris, qui m'a envoyé les sceaux. (il semble qu'il n'existe pas de portrait connu de Martinès).

 

PAZ PROFUNDA